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Você provavelmente conhece alguém que ronca. E, quando falamos sobre qualidade de sono, o ronco é um sinal de que algo pode estar errado.
Isso porque ele é o principal sintoma noturno de quem tem apneia obstrutiva do sono (AOS), um distúrbio comum para o qual muitas pessoas seguem sem diagnóstico.
Entenda: a AOS é caracterizada por pausas repetitivas (completas ou parciais) na respiração durante o sono, explica Sofia Furlan, fisioterapeuta respiratória e do sono da Resmed.
Essas pausas resultam na redução do oxigênio no sangue e em despertares frequentes ao longo da noite, de acordo com ela. Como consequência, o sono se torna fragmentado e não reparador.
Por que acontece? Por causa da obstrução das vias aéreas superiores —o caminho pelo qual o ar passa quando entra pelo nariz e pela boca até chegar nos pulmões.
A condição pode ser causada por uma combinação de diferentes questões, sendo os principais fatores de risco:
- Alterações anatômicas nas vias aéreas, como amígdalas aumentadas ou adenoides grandes, que atrapalham a passagem do ar;
- Alterações nas estruturas craniofaciais, por exemplo um queixo pequeno ou mais retraído;
- Obesidade ou sobrepeso, pois o acúmulo de gordura pode pressionar as vias aéreas;
- Idade, principalmente acima dos 50 anos;
- Sexo, já que homens têm maior probabilidade de desenvolver (o risco em mulheres aumenta depois da menopausa);
- Obstruções nas vias aéreas causadas por doenças como rinite, sinusite e asma;
- Tabagismo, pois fumar pode causar inflamação e retenção de líquidos nas vias aéreas.
Um alerta aos pais: é importante estar de olho nas crianças. A forma como a criança respira pode favorecer um adulto apneico, explica a pneumologista Danielle Clímaco, membro da Academia Brasileira do Sono.
- “No caso de aumento da adenoide, a criança respira pela boca e pode ter um crescimento craniofacial alterado, favorecendo a apneia do sono mais adiante”, diz.
Há outros fatores de risco também, como gravidez e algumas síndromes, como a de Down. “É mandatório investigar apneia do sono em toda pessoa com trissomia do 21, a síndrome de Down, pois os casos são muito frequentes”, afirma Clímaco.
Por que é um problema? Pelas consequências no curto e no longo prazo.
Os sintomas costumam ser divididos em noturnos e diurnos, explica a médica do Instituto do Sono Erika Treptow, pneumologista certificada em medicina do sono pela Associação Médica Brasileira.
Entre os noturnos, o principal é o ronco, como falamos anteriormente. Um padrão específico chama atenção e acende o alerta para a AOS: o ronco ressuscitativo, que é aquele em que a pessoa acorda sentindo falta de ar ou sufocada.
Entre os outros sintomas noturnos estão: pausas na respiração, engasgos, noctúria (levantar-se muitas vezes para urinar), sudorese e sono fragmentado.
Os diurnos incluem: sonolência excessiva, mudanças de comportamento (como maior irritabilidade), dores de cabeça, boca seca ou dor de garganta ao acordar e dificuldade de concentração e memória.
Mas… A doença também pode ter casos assintomáticos. Algumas pessoas nem sabem que têm apneia do sono e acabam não buscando tratamento.
- “É por isso que eu costumo dizer: felizmente, temos o ronco. Ele serve quase como um aviso de que pode existir um problema maior”, diz Treptow.
“Por ser um distúrbio silencioso e crônico, muitas pessoas atribuem seus sintomas ao estresse, ao cansaço do dia a dia ou ao envelhecimento, sem imaginar que a causa pode estar na qualidade do sono”, complementa Sofia Furlan.
A longo prazo… A apneia do sono aumenta o risco de distúrbios cardiovasculares, como hipertensão arterial sistêmica, arritmias, infartos, AVC (acidente vascular cerebral), de alterações no metabolismo e de declínios cognitivos.
E o tratamento? Deve ser individualizado, de acordo com a gravidade da AOS, e orientado por um profissional de saúde especializado em sono. Veja as possibilidades:
1. Dispositivos de pressão positiva
O CPAP é um aparelho considerado padrão ouro para o tratamento do distúrbio. É uma máscara nasal ou oronasal (nariz e boca) que fornece um fluxo de ar contínuo e impede o fechamento da garganta, segundo Furlan.
2. Dispositivos intraorais
O aparelho é feito por um dentista especializado e consiste em duas placas para serem colocadas na boca à noite. “Ele vai mover a mandíbula mais pra frente durante o sono, o que libera o espaço na via aérea e permite que o ar passe com mais facilidade”, explica Treptow.
3. Tratamentos cirúrgicos
“A cirurgia pode ser considerada para pacientes que possuem obstruções anatômicas significativas e para aqueles que não tiveram sucesso com outros tratamentos”, diz Furlan. Cada caso deve ser avaliado individualmente por um otorrinolaringologista.
4. Terapia miofuncional orofacial (TMO)
São exercícios para fortalecer os músculos da língua, faringe e dos tecidos da boca, explica a fisioterapeuta respiratória. São realizados com o acompanhamento de um fonoaudiólogo do sono.
5. Mudanças no estilo de vida
São medidas gerais que alteram hábitos relacionados aos fatores de risco do distúrbio, afirma Treptow. Veja as principais:
- Perder ou controlar o peso, a partir da prática de exercícios e alimentação adequada;
- Dormir de lado, pois, para muitos, a apneia piora ao dormir de barriga para cima;
- Evitar medicações sedativas e consumo de álcool, que relaxam a musculatura;
- Cuidar de doenças respiratórias, como rinite, asma ou outras que causam obstrução nasal;
- Ter regularidade nos horários de dormir e acordar.
Viu quantos profissionais podem participar do tratamento? Fisioterapeutas, pneumologistas, dentistas, otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos… A lista é grande. Mas os especialistas reforçam: é importante que eles sejam especializados em sono.
“Soluções milagrosas para um problema anatômico normalmente não existem. O tratamento exige mais. É extremamente importante buscar um profissional, não tentar nada caseiro para solucionar um problema de saúde com graves consequências”, diz Treptow.
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