O navio cargueiro Queen B é pequeno para os padrões dos navios porta-contêineres, mas estava realizando uma tarefa importante enquanto cruzava a Baía de Tampa na tarde de terça-feira (1º).
O cargueiro se apressava para chegar ao porto menos de 24 horas antes de o presidente Donald Trump anunciar um tarifaço mundial na quarta-feira (2), que ameaçavam tornar frutas importadas, máquinas, matérias-primas e outros bens muito mais caros. Durante o anúncio, no entanto, se soube que as tarifas entram em vigor entre este sábado (5) e quarta (9).
As empresas que haviam encomendado a carga no navio estavam fazendo tudo o que podiam para passar suas compras pela alfândega dos EUA antes de quarta, para garantir que não teriam que pagar as novas taxas mais altas.
“Tivemos clientes pedindo: ‘Por favor, descarregue até meia-noite'”, disse Daniel Blazer, cofundador da World Direct Shipping, de Palmetto, Flórida, que possui e opera o Queen B e outros dois navios porta-contêineres.
Entre a carga nos 220 contêineres que o navio transportou de Tampico, no México, para o SeaPort Manatee em Palmetto, havia azulejos, tequila, ar-condicionado, secadores e sacos de uma tonelada de sulfato de manganês, que é frequentemente usado em ração animal.
No porto, a World Direct também armazenava itens como frutas e açúcar trazidos em seus navios. O capitão do Queen B, Vadym Pryyma, natural da Ucrânia, disse que acelerou o navio a 33 km/h, bem mais rápido que o habitual, e teve que lidar com uma ondulação de 2,5 metros.
Corridas semelhantes estavam ocorrendo em outros portos e nas passagens de fronteira com o México e o Canadá. Embora Trump tivesse fornecido poucos detalhes sobre quais bens ou quais países ele imporia tarifas mais altas em sua ordem executiva de quarta-feira (2), as empresas decidiram que fazia sentido trazer mais carga do que o habitual para evitar pagar quaisquer taxas que pudessem entrar em vigor.
Estatísticas comerciais do governo sugerem que muitas empresas estavam comprando mais do exterior antes das novas tarifas —uma prática às vezes chamada de antecipação de carga. As importações de bens de consumo em fevereiro foram 24% maiores do que em fevereiro de 2024, de acordo com o Censo dos EUA.
Mas o aumento, dizem os especialistas em logística, não sobrecarregou as empresas de transporte marítimo, ferrovias de carga e caminhoneiros.
“A cadeia de suprimentos de importação —ferrovias, caminhões e transportadoras marítimas— tem lidado com importações elevadas nos últimos meses com desafios limitados, certamente em comparação com as interrupções crônicas encontradas em 2021 e início de 2022”, disse Jason Miller, professor de gestão da cadeia de suprimentos na Michigan State.
O custo de envio de um contêiner despencou este ano. Embora os caminhões estejam cruzando a fronteira mexicana em grande número, não houve um aumento generalizado nas tarifas de transporte rodoviário, indicando que há capacidade de caminhões suficiente. Autoridades em grandes portos dizem que conseguiram mover rapidamente muitos contêineres para caminhões e trens.
No SeaPort Manatee, uma equipe de 22 estivadores começou a descarregar o Queen B logo após as 19h de terça-feira e trabalhou até tarde na noite. Relâmpagos eram vistos à distância.
Contêineres regulares de 12 metros foram retirados do navio por guindastes alemães no cais e colocados em caminhões de pátio.
Mas a World Direct também transporta mercadorias em contêineres de 16 metros que precisam ser movidos por “reach stackers” de mandíbulas largas. Os contêineres maiores são melhores para transportar muitos bens volumosos, como eletrodomésticos, disse Blazer.
Um dos maiores clientes da World Direct é a Agmark, que importa tanques de suco de laranja e outros bens do México. Mas não havia tanques da Agmark saindo do Queen B na terça-feira.
Carter Kaeser, vice-presidente sênior da Agmark, disse que, embora os clientes tenham antecipado as importações, eles recentemente pararam os embarques caso chegassem após terça-feira e se tornassem sujeitos a tarifas mais altas.
“Temos zero cargas carregando e zero cargas nos navios cruzando o Golfo do México”, disse Kaeser. “Ninguém quer pagar.”