O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (2) que vai impor tarifas que ele considera recíprocas sobre produtos comprados de outros países. A medida entra em vigor em 9 de abril. Em cerimônia na Casa Branca, o republicano disse que o objetivo é trazer empregos e fábricas de volta ao país.
Em quadro mostrado pelo presidente, o Brasil aparece com taxa de 10%. “Estamos sendo muito gentis, somos pessoas muito gentis. Nós vamos cobrar aproximadamente metade daquilo que eles nos cobram. As tarifas não serão completamente recíprocas”, afirmou o republicano.
1. O que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em 2 de abril?
Donald Trump anunciou que vai impor tarifas recíprocas —na prática, sobretaxas— sobre produtos comprados de outros países, com o objetivo de trazer empregos e fábricas de volta aos EUA. As tarifas básicas começam em 10%, mas há um grupo de países aos quais serão impostas taxas maiores.
2. Qual foi a taxa de tarifa imposta ao Brasil?
O Brasil foi mencionado com uma taxa de 10%.
3. Essas tarifas anunciadas se sobrepõem aos impostos de importação já cobrados?
Sim. Por exemplo, no caso do etanol, de acordo com interlocutores, hoje, os americanos impõem uma tarifa de 2,5% ao produto. Com a sobretaxa, o imposto subiria para 12,5%.
4. Quando as tarifas entram em vigor?
A sobretaxa linear de 10% sobre todos os países com os quais os EUA fazem comércio entrará em vigor no sábado, 5 de abril. As tarifas mais altas passam a valer em 9 de abril.
5. Trump já havia imposto tarifa de 25% sobre aço e alumínio vindos de todos os países. Os 10% vão se somar aos 25%?
Segundo um funcionário da Casa Branca, a sobretaxa de 10% para o Brasil não será cumulativa ao imposto sobre aço, alumínio e autopeças anunciado recentemente —no caso do Brasil, portanto, ele permanece 25% para esses produtos.
Os automóveis também não entram nessa lista, por já serem alvo de uma taxa específica de 25% que entrou em vigor nesta quarta.
Outros itens foram isentos: cobre, medicamentos, semicondutores, barras de ouro, energia e outros minerais que não estão disponíveis nos EUA. Também foram excetuados artigos que se enquadram numa lei americano sobre emergência nacional e produtos que venham a ser sobretaxados com base numa lei sobre segurança nacional.
6. Qual o impacto previsto para o Brasil?
Apesar de apontarem impacto para alguns setores da indústria e para as exportações, especialistas ouvidos pela Folha disseram que a tarifa de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA, anunciada pelo presidente Donald Trump nesta quarta-feira (2), é um alívio. A percepção é a de que a medida mostra que o Brasil não está entre os principais alvos do governo americano.
7. Quantos países serão afetados pelas tarifas extras mais duras?
Cerca de 40 países sofrerão as tarifas extras mais duras impostas pelos EUA. O Lesoto foi citado com a taxa mais alta, de 50%. A China foi taxada em 34%, a União Europeia em 20% e o Japão em 24%. Veja lista completa ao final deste texto.
8. Qual é a justificativa de Trump para a imposição das tarifas?
Trump justifica as tarifas afirmando que outros países defendem suas indústrias cobrando dos EUA tarifas elevadas e que impor um sobrepreço a produtos hoje importados pelos americanos atrairia fábricas de volta ao país.
9. Como foram calculadas as tarifas recíprocas?
Embora Trump tenha afirmado que o cálculo havia levado em conta as tarifas cobradas pelos outros países, incluindo manipulação cambial e barreiras não tarifárias, documento publicado no fim na noite de quarta mostrou que, na verdade, os números apresentados são uma divisão entre o déficit comercial registrado pelos EUA na relação com o país em questão e o volume exportado por ele ao mercado americano.
Por exemplo, no caso da Indonésia, país com o qual os EUA registram déficit comercial de US$ 17,9 bilhões e que exporta um total de US$ 28 bilhões ao mercado americano. Dividindo os US$ 17,9 bi pelos US$ 28 bi, chega-se ao resultado de 0,64, ou 64%, número que, na apresentação de Trump, aparece como a carga tarifária praticada pelo país asiático contra os produtos dos EUA.
10. Quais são as preocupações dos analistas sobre as novas tarifas?
Analistas alertam que as tarifas podem elevar a inflação nos EUA e prejudicar relações internacionais, além de aumentar a tarifa média para 18%.