Você já viu alguém tentar empurrar uma porta com o aviso claro de “puxe”? Por mais força e boa vontade que se tenha, o resultado é sempre o mesmo: frustração. Esse pequeno gesto resume bem o comportamento de muitos investidores. Colocam energia e tempo tentando prever a próxima decisão do Banco Central, a movimentação do dólar ou o desempenho da Bolsa, quando deveriam focar naquilo que realmente podem controlar.
É curioso como o que não controlamos costuma atrair mais nossa atenção. O problema é que essa energia gasta olhando para o que está fora do alcance rouba o tempo e o foco que deveríamos dedicar ao que está bem ao nosso alcance.
A base de qualquer planejamento financeiro está na poupança recorrente. É o ato simples e desafiador de gastar menos do que se ganha. A disciplina de reservar uma parte da renda mensal vale mais do que qualquer retorno extraordinário. Quem poupa com constância constrói mais do que quem tenta adivinhar o melhor momento para investir.
Outro ponto totalmente controlável é a distribuição dos investimentos, também chamada de alocação de ativos. Não dá para prever se a Bolsa vai subir ou cair, mas dá para escolher como distribuir o patrimônio entre renda fixa, variável e liquidez, de acordo com seus objetivos e tolerância a riscos. Essa escolha, feita com critério, costuma ser mais determinante para o sucesso da carteira do que qualquer “dica quente” do mercado.
A preparação para a aposentadoria é um dos maiores atos de autonomia financeira. A decisão de construir um patrimônio para ter uma renda futura está nas suas mãos. Poupar e investir pensando no longo prazo é o que separa quem dependerá da sorte daqueles que terão liberdade de escolha no futuro.
A sucessão patrimonial é outro exemplo clássico. Ignorar esse tema muitas vezes gera conflitos familiares e perdas financeiras evitáveis. Com um bom planejamento, é possível decidir hoje como o patrimônio será transferido, com economia, clareza e tranquilidade para quem fica.
E, claro, proteger-se contra imprevistos é parte do que está sob o nosso controle. Ter seguros adequados e uma reserva de emergência bem dimensionada é o que transforma grandes sustos em pequenos desvios. Doenças, acidentes ou crises econômicas não podem ser evitados, mas seus impactos podem ser atenuados por quem se planeja.
Focar no que está sob seu controle é mais do que uma lição financeira, é uma forma de viver com menos ansiedade e mais clareza. Enquanto muitos tentam empurrar a porta errada, quem entende o mecanismo foca na maçaneta certa e segue em frente.
Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Casa do Investidor.
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